Hoje contamos com a companhia de um rapaz chamado Marcos. Marcos é um jovem que apresenta algum retardamento mental, que eu classificaria como "leve". É um rapaz dócil, muito carinhoso e educado, mas parece estar sempre meio fora do ar e é muito ingênuo. E por essas características, ele expôs a nós alguns fatos de seu cotidiano, sem qualquer "constrangimento" que uma pessoa em plena consciência teria ao dizer. Segue alguns trechos do depoimento dele:
"...hoje teve festa junina na (nome da instituição de amparo à deficientes que ele freqüenta). Eu convidei algumas pessoas pra ir, só que elas disseram que não iam porque lá é lugar de gente doida. Eu devo perdoar elas?..."
"...por muito tempo eu não acreditei em Deus, porque ele me deixou muito tempo só, sem família...aí eu fui adotado..."
"...na minha casa, o meu pai(Pai adotivo do Marcos) tem uma filha (filha legítima do pai) que é religiosa, mas ela não almoça comigo na mesa, porque ela diz que é um absurdo isso..."
Tirando a parte da religião, que não está sendo discutida nessa postagem, percebe-se o que o preconceito causa. Não é porque o indivíduo possui dificuldades mentais que ele necessariamente não vai entender o que se passa ao seu redor. E veja que Marcos está longe de ser um daqueles mais difíceis de lhe dar, pelo contrário: se mostrou muito interessado em participar da discussão no grupo e mostrar seu carinho por todos nós que o recebemos bem.
Não serei hipócrita : eu não estou livre de ser preconceituoso. Mas honestamente me preocupo bastante em reduzir ao máximo meus julgamentos, e depois de hoje, triplicarei essa preocupação. Então convido todos a refletirem sobre si mesmos e seus hábitos, porque o preconceito se mostra de muitas formas, e é um veneno social que só pessoas como Marcos podem traduzir para nós.

5 comentários:
po claro!
concordo com vc!
Preconceito é o mal da sociedade. Mas nem sempre é tão facil assim!
Ele é rapido e implacavel, e muitas das vezes vc nem percebe que esta sendo preconceituoso! o começo de tudo é conhecer a nos mesmos e saber quais os males da nossa alma e assim combate los!
eu sempre fui contra o preconceito, por mais que muitas vezes ele esteja preso na gente. Acho válida a sua força de vontade para tentar não fazer conceitos precipitados! e é isso.
seguimos assim. :)
Concordo com você. e se pararmos para pensar existe em cada um de nós um preconceito. O que devemos fazer é, como você disse, descobri-los para acabar com eles. Pois um mundo com preconceitos não vai para frente. E já temos tantos motivos para esse mundo não ir pra frente... Se cada um fizer sua parte ajudará bastante.
Eu tenho na família uma pessoa com deficiência mental. Por muitos anos os médicos o classificaram como autista. Porque, eu nao sei. Na verdade ele é muito social, adora conversar. Sempre que telefonamos, ele pergunta como todos estamos... Acho uma gracinha! Com certeza eles sentem o preconceito que os atinge. Uma das características que esse menino tem é a tradução dos pensamentos. A maioria das coisas que ele pensa, fala alto. E não só isso: as vezes ele reproduz as conversas que teve, esporros que tomou e coisas que as pessoas disseram pra ele. Vez ou outra escutamos um "eu nao quero te abraçar porque voce é doente" ou "sai de perto de mim" ou qualquer esporro da mãe dele pq fez coisa errada. Sabe... eu tb nao estou livre preconceito, mas sinto muita peninha dele quando ouço essas coisas. Não só pq ele é da minha família, mas pq é um ser humano. Poxa, isso é muita maldade. As pessoas tem que aprender a falar com quem tem necessidade especial, e principalmente ENTENDER que elas tb são pessoas. É isso. Beijo, Huguinho!
Nunca acabaremos com o preconceito, pois é algo natural. Quando avistamos um cachorro grande, refletimos sobre a possibilidade do mesmo ser agressivo. Em um primeiro dia de aula, quando "conhecemos" um professor, tentamos construir uma primeira impressão sobre ele, de forma a saber se é um carrasco ou não. Essa primeira impressão é nada mais do que um preconceito. Não estou querendo dizer que preconceito é algo normal e aceitável. Só estou dizendo que acabar mesmo com ele é impossível. Mas muitos deles podem sim serem controlados, domados e até esquecidos. Basta um pouco de consciência e informação.
Logo, acredito que o "mal preconceito" deve sim ser eliminado. Mas o (não digo "bom") preconceito natural é, como o nome diz, natural.
Obs: Quem deixou esse comentário estuda com você. Agora, crie seus preconceitos!
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